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domingo, 8 de janeiro de 2012

O que diz Aione Simões, do blog Minha Vida Literária

Ultimamente, resenhei os livros lidos por mim após de um tempo finalizada a leitura, para refletir melhor sobre o que dizer antes de escrever. Entretanto, esse livro merece ser resenhado no segundo seguinte ao final do último ponto ter sido lido, porque ele merece ter todas as emoções que senti durante sua leitura transpostas nesta resenha.
Antes de tudo, preciso dizer que não sabia o que esperar de “Por Linhas Tortas”. Na verdade, eu tinha uma ideia do que se tratava a história, mas conforme iniciei a leitura, percebi meu engano e, a partir daí, não sabia mais o que esperar dele.
Logo quando a história se iniciou, sabia que esse seria um livro que me agradaria, porque sua narrativa me agradou desde o início: madura, bem estruturada, natural, fluída e cativante. Além disso, a boa narrativa contava uma história que se mostrou interessante ainda no começo: a história de Ester.
A personagem nos conta sua trajetória desde quando freqüentava a escola e se mostrava diferente de seus colegas pelos seus ideais e maneira de encarar a vida. Apesar de conhecermos praticamente toda a vida da protagonista, em nenhum momento isso se torna cansativo, uma vez que Cynthia França soube como narrar fatos importantes com detalhes e outros menos importantes mais superficialmente, relatando pontos principais e pulando, muitas vezes, grandes períodos de tempo cronológico, nesses casos, para que a história avançasse com mais velocidade. E ao avançar esses períodos, jamais deixou buracos no enredo.
Ester é incrivelmente real e é uma guerreira. Me apaixonei pela personagem porque a admirei ao extremo. Sua maneira de encarar a vida e a de lidar com as situações mais diversas possíveis a tornaram uma pessoa incrível e rara. Não há como não admirar as atitudes dessa nobre mulher, seu romantismo sempre presente, sua força, sua fé, seu otimismo, sua sabedoria. A personagem me cativou tanto a ponto de ter se tornado, para mim, um modelo a ser seguido. Se eu conseguir encarar minha vida pela maneira como ela encarou a dela, com ideais semelhantes aos dela, posso me dar por satisfeita.
A história é comovente e inesperada. Quando se iniciou, eu esperava um drama e uma mulher que perde o rumo de sua vida, escolhendo andar por linhas tortas. Depois, compreendi o significado do título, que complementa a frase iniciada por "Deus escreve certo...". Logo nas primeiras páginas, já senti o drama da história devido a alguns acontecimentos, inesperados para mim. Imaginava que algo aconteceria, mas imaginei fatos diferentes dos que ocorrem. A partir deles, supus que o enredo tomaria os rumos imaginados por mim inicialmente. Novamente, enganei-me e, a todo o momento, era surpreendida pela história, sempre tomando rumos próprios e não os das minhas suposições.
Algo que me agradou imensamente foram as inúmeras referências literárias no livro, sempre de grandes nomes da literatura mundial: de Dostoiévski a Elizabeth Gilbert, passando por Jane Austen e Machado de Assis, sem deixar de lado Shakespeare e outros tantos autores renomados e suas respectivas obras. Ester é uma mulher culta apaixonada desde cedo pela literatura e os livros fizeram parte de sua vida de diversas formas, marcando seus pensamentos, ensinamentos e dando sentido aos seus ideais, inclusive pelo apelido recebido na época de escola: Penélope, a personagem de Homero em "Odisséia".
Uma característica incomum do livro é o fato de não ter capítulos, as divisões se dão por blocos de parágrafos; uns maiores, outros menores. Acredito que essa tenha sido um artifício da autora para nos dar a sensação de continuidade da história tal qual há na vida, sem divisões. A inexistência dos capítulos só me incomodou em um momento: as duas únicas vezes que interrompi a leitura (porque precisei, senão teria o lido de uma só vez), precisei memorizar as páginas que parei (123 e 177, diga-se de passagem), uma vez que o li o ebook e não sabia como marcá-las. Caso tivesse lido o livro físico, isso jamais teria sido um problema, já que a sensação de continuidade é tão grande que não há a vontade de se interromper a leitura.
“Por linhas tortas” é um romance repleto de realidade. Assim como em "Um Dia", de David Nichols, ele é um retrato da vida, ou seja, marcado por situações inesperadas, perdas, ganhos, amadurecimento, tristeza, felicidade. O efeito do tempo é completamente notável e, principalmente, sentido pelo leitor. O livro é emocionante e não me recordo de qual o último livro que li e que me fez chorar em tantos momentos diferentes durante a leitura. Chorei no começo, no meio e no final, chorei por tristeza, chorei por alegria, sorri ao imaginar uma bela cena, fiquei com os olhos arregalados por contemplar outras. Principalmente, enxerguei tudo pelos olhos da Ester e pude sentir com a ela a magia de sua vida. Achei incrível, também, a maneira de como fatos ditos em momentos diferentes se interligaram perfeitamente na história, mostrando que nada do que aparece na leitura foi em vão.
Esse livro me tocou profundamente. A sinopse, que só li após já ter iniciado a leitura, não transmite em nada sua grandiosidade. A história trata sim sobre a busca de uma mulher por achar seu lugar, mas não transparece a maneira maravilhosa de como foi contada. Foi impossível para mim não mergulhar de cabeça no livro e o devorei em pouco tempo, visto que só realizei duas pausas, mesmo lendo no computador, o que não gosto de fazer. Não só pela escrita impecável da autora, o livro me ganhou por trazer emoções por trás de cada palavra cuidadosamente redigida.
Por fim, preciso acrescentar o que já ficou óbvio durante a resenha: esse foi mais um livro nacional que entrou sem pestanejar para minha lista de livros favoritos, não só dentre os nacionais. Só tenho a agradecer a autora pela parceria e por ter me possibilitado ler sua obra maravilhosa. 
 
 

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