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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O que diz a autora

Caros leitores:

Pela primeira vez na vida, arrisco-me no mundo literário.
Há alguns anos penso em escrever um livro. Os que me conhecem bem sabem que sempre gostei de escrever. E que sempre escrevi muito. Contudo, até agora as letras permaneceram restritas ao âmbito privado.
Alguma coisa mudou. Senti que tinha em mãos uma história que merecia ser contada. Ou melhor, que devia ser contada. Juntei um pouco de coragem e comecei a rascunhar o texto.
Assim que concluí a primeira versão, pedi a amigos e especialistas na área que lessem e fossem absolutamente sinceros comigo. Recebi críticas, sugestões e um grande estímulo para que publicasse um livro.
É o que estou fazendo agora, com muita emoção. E ciente dos perigos de externar meu pensamento publicamente.
Acho importante esclarecer que este livro é um divisor de águas na minha vida. Por meio dele, ouso emitir meu pensamento na forma escrita. E ouso compartilhá-lo com o público, sem restrições.
Se me pedissem para resumir em uma palavra o que este livro representa para mim, eu diria libertação. Ao escrevê-lo, tomei contato com realidades internas que desconhecia. Aprendi a me conhecer melhor. Reforcei em mim a necessidade imperiosa de analisar criticamente opiniões consolidadas, preconceitos embutidos e crenças inquestionadas. E de sempre desconfiar das aparências e buscar a verdade. Sim, ela existe.
Este livro me ajudou a enxergar o mundo e a vida de outra forma. E se uma analogia ajudar a esclarecer isso, faço uso do Mito da Caverna, de Platão. Olho para trás e me vejo como um daqueles seres presos ao fundo da caverna, imobilizada e condenada a olhar sempre para a parede em frente, onde eram projetadas as sombras da realidade.
Durante grande parte da minha vida, foi exatamente assim. Estive no fundo da caverna, tomando o espectro pela realidade, sem sequer suspeitar de que fosse apenas um espectro. Aceitei o filtro mental que me foi imposto pela explicação (ou pela falta dela) que me deram.
Ao ousar escrever este livro e buscar em mim o que eu tinha para oferecer, fiquei maravilhada com a oportunidade de me ajustar à realidade e de admitir que aquelas imagens eram falsas. E que, portanto, precisavam ficar para trás. Foi incrível perceber as coisas se deslocando e se alinhando novamente em outra perspectiva. Comprovei o que afirmou o enigmático escritor Julián Carax, personagem de A Sombra do Vento, de Carlos Ruíz Zafon: um relato é uma carta que o autor escreve a si mesmo para se contar coisas que, de outro modo, não poderia descobrir.
Livremente inspirado em fatos reais, Por Linhas Tortas conta uma história de amor e de superação. A história da mulher que compreendeu a importância de assumir a sua individualidade e as rédeas do seu destino. Mulher que — é bom esclarecer — não sou eu, mas que tem muito de mim. História que é minha apenas em parte, com todas as cores e tons que me permiti atribuir a ela. Cores e tons que não fogem à realidade, mas que, como reconheceu Isabel Allende, a realidade, raras vezes, os têm.
Espero que seja uma leitura agradável e que tenha algo a acrescentar à vida de cada um. De minha parte, procurei seguir o conselho que o velho Farrell deu a Stingo no memorável romance de W. Styron: escreva pondo para fora as suas entranhas.

Cynthia França